Quando Está a Sua Vida?

O poeta Gonzaguinha cantou a vida. Citando fatos de “alegria ou lamento” interpretou a visão de muita gente sobre essa passagem por aqui. Retratou a confusão que há entre aquilo que estão vivendo e sua própria vida.

Repare que a definição popular de vida fica sempre sujeita ao próprio estado de humor das pessoas diante do resultado de suas experiências. Se trabalham muito, ela é dura. Se o sócio lhes aplicou um golpe, então passa a ser injusta. Ao “perder” alguém que ama, a vida se torna absolutamente cruel e mais tudo o que já foi mencionado, junto.
Essa maneira de pensar e agir é suscetível a muitos equívocos emocionais para ser considerada um padrão de avaliação confiável para a vida. Comumente é pessimista. Considerando uma determinada situação como sendo muito difícil de ser superada, imagina-se que não haja solução para tal. Mas sempre há.
A vida é dinâmica, ela está sendo tudo isso, enquanto tem constantemente como pano de fundo a perfeição.

Há quem diga que “somos feitos de nossas lembranças.” Isso é muito bonito e poético, verdade. Mas, é mentira, ou um ledo engano. Não há nada mais óbvio do que dizer que a lembrança, seja boa ou ruim, é constituída de acontecimentos que já passaram, portanto, não existem mais nem nunca mais voltarão a existir. Sei que isso pode soar muito duro para algumas pessoas que costumam conservar suas lembranças acesas utilizando-a como combustível para viver, mas é assim.
Ao se lembrarem de fatos de sua vida as pessoas dizem “parece que foi ontem.” Não parece, foi ontem, mas agora é hoje. E hoje tudo pode ser melhor do que jamais foi, acredite.

Se algumas lembranças estão servindo para que você se refaça de algum sentimento que ainda não consegue controlar, funcionando como uma pausa para descanso, estão sendo válidas. Mas procure aumentar gradativamente o espaço em sua mente para o tempo presente. Aprenda a lidar com esse momento, é a partir dele que sua vida recomeça. Olhe para frente e busque seu caminho.

Temos memória, e por isso a lembrança, é natural. Nunca as negue, mas recorra a elas somente se forem acrescentar algo de positivo em sua vida hoje. Do contrário você estará optando por iludir-se e sofrer.
É preciso cuidar-se para que as lembranças não se apossem de você. E isso pode ocorrer quando desrespeitamos o tempo presente e passamos a viver fora dele, ou em alternância descontrolada entre épocas passadas e futuras. É viver entre a realidade e uma fantasia demasiadamente prejudicial ao nosso crescimento. Essa energia se aproveita das fraquezas humanas e, travestida de alegria, melancolia, sofrimento ou do que quer que elas signifiquem para seus evocadores, faz com que acreditemos que somos ela própria. Nessa confusão de identidade podemos nos desviar do caminho produtivo à nossa frente, nos perder numa floresta de ilusões.

O fruto das lembranças são suas conseqüências, fatos que geraram quando existiram naquele tempo que se chamava presente. Eles, sim, são reais e têm efeitos hoje. Porém, além deles, sua vida vai sendo feita de desdobramentos constantes de eventos atuais.
E bem nesse ponto está a sua força.

Chamo a atenção para a sutileza da expressão vai sendo feita. Ela é a que define com mais exatidão algo que as palavras, algumas vezes, têm dificuldade de expressar, chegando a fazer com que coisas muito diferentes, soem como sendo parecidas e até iguais. Esse detalhe é fundamental para o entendimento das constantes transformações que participam do processo de vida. O fatalismo só existe em algumas mentes humanas.

Vivemos agora o momento de aprender a lidar com as lembranças, e não fugir ou fingir que não temos necessidade delas. Quando surgirem precisamos, sim, convertê-las em energia saudável para nossa vida, para nossa evolução. Isso é feito através da análise dos resultados de seus efeitos hoje, sem julgamento, nem punição, mas com absoluto discernimento de valores.

Qualquer que seja o impacto que algo do passado possa ter causado em você, ele já acabou, se foi. É preciso amadurecer e seguir seu caminho. Os fatos que você vivenciou até agora e seus resultados, não devem ser considerados ferimentos abertos sem cicatrização e sim, setas sinalizadoras. Por isso, atenção para onde apontam.

Jamais poderemos fazer algo no passado. O presente é a matéria prima de nossa vida. Devemos aproveitá-lo com consciência, atenção e respeito.
Você pode fazer agora tudo o que deseja para tornar esse o melhor de todos os seus momentos. Depois vá replicando essa atitude em todas as situações e verá o mundo se transformando diante de seus olhos.
É a beleza de todo esse processo dinâmico permeado de possibilidades infinitas.
O poeta tem razão. No final das contas, a definição mais simples e direta continua vindo da “pureza da resposta das crianças: é a vida, é bonita e é bonita!”.


Delphis Fonseca
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A Relatividade da Justiça


“Cega”. Essa é a simbologia da justiça. Isso representa que ela não enxerga diferenças de nenhuma espécie dentre os que a procuram, sendo aplicada de forma igualitária a todos. É, também, soberana, como soberano era o rei Salomão que julgando a disputa pela maternidade de um bebê, após ouvir os relatos de duas mulheres, nos quais cada uma jurava ser a verdadeira mãe da criança, decidiu simular uma decisão absurda: “Cortem o menino ao meio, e dêem metade a cada uma delas!”. O restante da história você conhece. Sábio rei!

Hoje, no entanto, muitas das decisões tomadas nos tribunais geram polêmica entre a sociedade em todas as partes do mundo. Estratégias de defesa, artimanhas de promotoria, cada uma das partes buscando seus próprios interesses. É justo.
Não raro, vemos pessoas levantando bandeiras, fazendo discursos e clamando por justiça. Nas ruas, no trabalho, nas universidades, na sua casa, tenho certeza que você se depara constantemente com apelos insistentes pela presença dela. E quantas vezes você mesmo se questiona sobre a existência “dessa tal justiça”, inconformado com alguma situação que lhe parece insustentável? Mas, acredite, ela existe. Pode não ter a aparência que você imagina, mas está sempre presente. Aliás, as aparências, muitas vezes, enganam, como é sabido. Você está reclamando a presença de algo que sempre esteve ao seu lado.

Fique em silêncio e procure lembrar de quantas vezes você já se livrou de situações difíceis em sua vida, ao invés de se lamentar pelo fato de elas terem ocorrido em outros momentos. A pergunta correta não é “porque isso foi acontecer?”, mas, sim, “para que isso aconteceu?”. Todas as suas experiências devem ser entendidas como o que realmente são: um aprendizado valioso. Não se aprende através de outro processo senão pelas próprias experiências ou pelo conhecimento das experiências de outros. A vida é uma troca delas. Tudo o que elas dizem é algo importante sobre você.

Uma das melhores cabeças pensantes que o mundo já viu, o cientista alemão, radicado nos Estados Unidos, Albert Einstein, chegou a ser classificado por alguns de seus professores como deficiente mental. Ao ser indagado sobre qual seria o mecanismo de comportamento da vida, fez uma das mais simples e claras definições dos tempos modernos sobre o assunto: “A vida é como jogar uma bola na parede: Se for jogada uma bola azul, ela voltará azul; Se for jogada uma bola verde, ela voltará verde; Se a bola for jogada fraca, ela voltará fraca; Se a bola for jogada com força, ela voltará com força. Por isso, nunca ‘jogue uma bola na vida’ de forma que você não esteja pronto a recebê-la. A vida não dá nem empresta; não se comove nem se apieda. Tudo quanto ela faz é retribuir e transferir aquilo que nós lhe oferecemos.”

Analise bem os argumentos que está usando para colocar a justiça no banco dos réus na tribuna da vida. Todos eles poderão ser considerados improcedentes e ainda se tornarão provas decisivas para a vitória da defesa. Isso é científico. É filosófico. Sim, ambos.
Foi a união de pensamentos filosóficos e conhecimentos científicos, ao longo do tempo, que mostraram que alguns dos “ex-mestres” de Einstein estavam bastante equivocados com relação, não só ao seu intelecto, como, principalmente, ao seu conhecimento dos mecanismos da vida. Não bastasse essa definição certeira - que também deixou claro quem era deficiente - em 1905, Einstein elaborou a Teoria da Relatividade: “Dois referenciais diferentes oferecem visões perfeitamente plausíveis, ainda que diferentes, de um mesmo efeito.”
Analisando a justiça sob esse prisma, onde estaria ela?
Em tudo que envolve a vida. No todo.
Esqueça o fiel dessa sua velha balança, acredite na vida e aja com justiça tratando o mundo como você gostaria de ser tratado por ele. Faça a sua parte e fuja do conceito simplório que diz: “O que me faz bem é justo. O que vai contra os meus propósitos é injusto”.
Para aqueles que se aproveitam das falhas que possam ocorrer no mecanismo dos tribunais, é bom que saibam que a verdadeira justiça não tem lado, mas está por todos os lados. Faz-se presente queiram ou não os homens, porque simplesmente está acima de tudo e de todos. Ela se mostra no momento exato. É muito mais que soberana, é a própria Soberania.

O homem verdadeiramente forte é o que busca a verdade com convicção. Não sofre pelas derrotas parciais, e nem se ofende ao ouvir impropérios a seu respeito. Seguindo firme por seu caminho, faz escolhas, muitas vezes difíceis, como fez a verdadeira mãe do bebê ao Rei. E, então, são por elas conduzidos ao sucesso no veredicto da vida.

Para que se possa ter justiça, como desejada, é preciso antes aplicá-la na mesma medida. Não é preciso ser um grande gênio e, sequer, usar qualquer dos cinco sentidos. Mas, um sexto chamado bom senso.


Delphis Fonseca
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Cuidados com a Alimentação


“Tem que ‘papar’ tudinho pra ficar grande, forte e saudável!”. Logo que viemos ao mundo começamos a ouvir esta frase que se repetia por centenas e centenas de vezes. Em idiomas diferentes, mas com o mesmo significado e com muito amor, milhões de mães por todo o planeta fazem a mesma recomendação aos seus “pimpolhos” logo cedo. O objetivo é fixar em suas mentes a necessidade básica de uma boa alimentação.
Vitaminas, proteínas, sais minerais, gordura, fibras, carboidratos. Tudo é importante e deve ser consumido nas quantidades certas para que se atinja o equilíbrio, físico e mental. Uma pessoa bem nutrida tem o sistema imunológico mais eficiente, portanto esta mais protegida dos inimigos invisíveis que habitam nosso corpo e pairam no ar constantemente.

Assim como um vírus, a inveja contamina as pessoas cujos anticorpos sejam insuficientes para sua função. Ela é um dos sentimentos responsáveis pela destruição de relacionamentos, carreiras, sonhos. Pode prejudicar muito aqueles que se deixam influenciar por seus portadores, mas sem sombra de dúvidas, explode com conseqüências devastadoras em sua própria fonte. Entretanto, é bom saber que a chamada queda de resistência pode acontecer de uma hora para outra, até mesmo nas pessoas mais saudáveis. Basta para isso, um simples descuido em sua dieta.

O processo infeccioso e seus sintomas são descritos a seguir:

“A queda da imunidade é provocada pela falta de uma alimentação balanceada baseada na consciência. Com deficiências das principais vitaminas encontradas, principalmente no amor, no propósito, na confiança e na humildade, há aumento de toxinas originadas da ambição descontrolada. Isso, por sua vez, favorece o crescimento das células viciosas do orgulho e da vaidade causando a inibição da produção natural do hormônio da verdadeira felicidade - esse ainda não sintetizado em laboratório. Muito longe de ser produzido através do 5-hidroxitriptamina, a serotonina, e mais distante ainda do paralelo entre felicidade e chocolate, ele é o que nos une a tudo, pois é gerado em nossa essência, da qual ficamos distante na maior parte do tempo.

Embora claros para os que observam o infectado, os sintomas dessa enfermidade muitas vezes demoram a ser reconhecidos por ele próprio. Isso faz com que o vírus aja por um período prolongado, tornando-se mais resistente. Sua vítima assim o é por ignorância ou comodismo, e sofre por não querer saber a real causa desse processo. Então, passa a acreditar que as pessoas que têm sucesso e são felizes se apropriaram do que lhe deveria pertencer, ou seja, ela começa a ver a vida pelo seu avesso. O quadro começa a se agravar.

Tem início a fase mais delicada da infecção. Tornando-se incapaz de controlar seus próprios pensamentos e atitudes, o enfermo, passa a manter um fluxo constante de atitudes mentais hostis. Isso muitas vezes provoca até mesmo agressões verbais e físicas contra aqueles que considera os responsáveis por sua tormenta. Seja através de ataques individuais, ou contagiando outras pessoas desprotegidas - manipulando-as e arregimentado-as para uma batalha individual e confusa - se entrega a seu propósito destrutivo como principal objetivo de vida.
Há registros de casos que mostram que alguns dos acometidos por esse mal conseguem atingir seu alvo sem mover um dedo sequer. Apenas sua presença, com intenções reais dissimuladas por palavras e gestos aparentemente amigáveis, afetam rapidamente outras pessoas de forma certeira. Nelas, o vírus mutante, tem manifestações diversas: raiva, desapontamento, frustração, revanchismo. Quando ele se manifesta, o desequilíbrio é instalado.”

Bom é saber que para esse mal já há cura. O medicamento é absolutamente eficaz, podendo ser administrado a pessoas de ambos os sexos e qualquer faixa etária. Não necessita de prescrição. Os sintomas irão desaparecer por completo, não sendo necessário consultar um médico. Totalmente natural e sem contra-indicações, escolha a forma de apresentação que preferir, mas tome tantas vezes quantas forem necessárias, boas doses de Atitude de Mudar.

Entenda que sua vida é aquilo que você conseguiu fazer dela até agora, e será aquilo que você passar a fazer dela a partir de agora, sem limitações. Não se culpe, nem culpe os outros, por não ter chegado aonde queria. Talvez você ainda não tenha convicção do que quer. Mas compreenda que onde estiver seu desejo mais profundo, lá mesmo estará também, a realização dele.

Apenas para lembrar a recomendação da mamãe:

Não se alimente de porcarias, hein?


Delphis Fonseca
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Uma Estrada Sem Retornos

Bagagens no porta-malas, pneus calibrados, tanque cheio, tudo revisado. Lá vai você rumo ao destino planejado. Mas, ao longo da viagem você começa a perceber que a paisagem está se tornando desagradável, o asfalto acidentado demais e o tráfego excessivo e perturbador. Nada disso confere com seus planos. Seu carro já está ficando literalmente arrebentado e você, então, decide buscar outro caminho. “Ainda bem que todas as estradas têm retornos!”, suspira.

Quem já esteve em uma situação parecida sabe que, ainda que demore um pouco e nos dê mais trabalho, sempre há uma forma de retornar.
Assim, é também na vida. Você tem possibilidades de se refazer de qualquer situação, replanejar tudo e continuar sua viagem quantas vezes for necessário. É claro que, se você causar ou sofrer algum acidente de percurso terá de arcar com todas as suas conseqüências, mas a chance de corrigir a rota sempre existirá.

Quem já precisou de auxílio nessa estrada sabe da importância de recebê-lo na hora certa. Os primeiros-socorros salvam vidas. Carinho, atenção, compreensão, amor, e quando necessário, impregnado de tudo isso, um bom chacoalhão para evitar que você durma ao volante, e volte à realidade. Esses companheiros de estrada são aqueles em quem realmente podemos confiar, e felizes devemos nos considerar por nossas estradas terem se cruzado. São os nossos amigos de verdade.

É fundamental para o fluxo perfeito dessa estrada, que você também esteja atento às necessidades alheias. Saiba agir no momento certo, e não apenas quando for cobrado. Até porque muitas vezes, as pessoas não lhe farão cobrança alguma. Caberá a você reconhecer e aproveitar as maravilhosas possibilidades de exercitar uma das maiores virtudes do ser humano: a generosidade. Ela tem o poder de fazer você crescer muito. Tanto quanto verdadeiro for o sentimento de amor que a promover.

Muitas vezes motoristas desatentos não enxergam o que se passa pela estrada com a amplitude e a clareza necessárias. Trafegam apenas apreciando o entorno, como se dirigir também não implicasse responsabilidades. Ou então, o fazem pré-ocupados com algo que não deveria lhes causar preocupação, deixando de dar atenção ao que realmente importa.

Se você anda procurando a melhor estrada para trilhar na vida, saiba que há muitas e elas se interligam de alguma forma. Todas o conduzirão, mais cedo ou mais tarde, ao mesmo lugar. Mas, se ficar perdido pelo caminho não for sua intenção, fique atento. Algumas vezes, a vida o direciona a um lugar específico, e lhe cabe estar preparado para entender a sinalização. Outras, faz com que você tenha de exercitar seu senso de direção e deixa a escolha por sua conta. A vida não vem com GPS, nem nos oferece um roteiro definido. Temos liberdade para escolher nossa própria rota.

Para fazer com que sua viagem seja produtiva e gratificante, é preciso antes de mais nada, escolher o próximo destino. Sua definição clara é o sinal de os primeiros traços de seu mapa já tiveram início. Sua consciência é seu melhor navegador, por isso, mantenha esse contato, ela sabe exatamente como chegar lá.
A estrada certa é aquela de onde derivam todas as outras. Quando encontrá-la, aparentemente não será muito diferente de tantas que você já percorreu. Porém, dirigir por ela, lhe dará a viva sensação de estar desfrutando de uma bela paisagem, uma pavimentação perfeita e um fluxo organizado e tranquilo.
Você poderá até estranhar o fato de existir apenas uma via.
Mas, não se preocupe, você não terá motivo algum para procurar o retorno.

Delphis Fonseca
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O Homem, a Galinha e o Troféu


Quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha? Essa pergunta tão popular está diretamente ligada à origem dos seres, e nem mesmo o mais renomado cientista do mundo arriscaria respondê-la. A resposta certa valeria ao seu autor, no mínimo, um belo troféu.
E por falar em troféu, teria ele sido criado pelo vencedor, ou já existiria antes dele? Assim como no primeiro dilema, temos apenas duas opções de resposta, portanto, apenas uma tentativa de acerto. Precisamos refletir muito bem.

Desde o surgimento da humanidade, ou até o que se conseguiu saber dele, o homem desenvolveu o desejo de dominar e vencer seus semelhantes. Essa característica pré-histórica não só foi cultivada até os dias de hoje, como teve uma “evolução” bastante curiosa. Parte dos amantes da disputa desenvolveu uma outra ramificação dela: o importante não é ganhar, e sim ver os outros perder. Seus opositores favoritos são sempre os que eles julgam poder, de alguma forma, por em risco seus planos de vida. Algumas vezes nem precisam de motivo. Apreciam a disputa, pela disputa.
Escolhido o adversário, comumente a recíproca é automática: “Se ele quer jogar desse jeito, vamos, lá!”. Um passa a nutrir pelo outro, sentimentos de inveja e ódio. Enfim, buscando dar um nome atrativo, e que dissimule seu real sentido, denomina-se o ato de competitividade.
Isso dá a impressão de que são determinados, fortes, que sabem o que querem, quando na verdade estão sendo guiados apenas por seus impulsos mais rudimentares.

É fato que as pessoas devam buscar muitos objetivos na vida, e para isso precisam encontrar o seu espaço. Mas, não significa que precisem transformar a brutalidade em um esporte, onde o Fair Play, não faça o mínimo sentido, muito menos destruir seus semelhantes. De fato, para quem enxerga o mundo como uma imensa arena da antiga Roma, a regra só poderia ser: mate ou morra.
Enquanto a vida for encarada dessa forma, haverá gente praticando o anti-jogo para tentar alcançar seus objetivos, em detrimento de uma conduta honesta. Tudo em nome de um “mundo competitivo”. Carentes que estão, fazem aumentar cada vez mais sua necessidade de mostrar a todos, o que pensam ser superioridade, enquanto o que expõem, nada mais é que pura insegurança.

Sabemos que vez ou outra isso pode até conduzir alguém aos seus objetivos, mas, definitivamente, não fará de ninguém um vencedor. Esse tipo de disputa oferece apenas um troféu forjado em limitação e orgulho maciços, prêmio máximo aos que encenam essa olimpíada de fraquezas humanas. Tomando suplementos à base de vaidade, esses pseudo-atletas fazem inflar cada vez mais seus egos anabolizados. Sentindo-se verdadeiros campeões, executam um performático e triste mergulho nas densas e turvas águas da desilusão.

Quais seriam as finalidades desses fins? Sim, porque o fim, ao contrário do que eles pensam, não fala por si, nem é literalmente o final. Terá seus desmembramentos, muitos. E esses serão tão proveitosos aos seus conquistadores quanto justos foram os meios dos quais se fizeram valer. Essa lei de causa e efeito não há como ignorar.

Mas, felizmente há muitos atletas de verdade. Gente que, apesar das dificuldades, consegue driblar esse comportamento, saltar por sobre todos os problemas com dignidade e respeito às regras. Praticando um esporte de cooperação, conquistam o que almejam e, ao mesmo tempo, proporcionam um espetáculo bonito, harmonioso, equilibrado e, acima de tudo, justo. Então, podem desfrutar do seu prêmio como legítimos vitoriosos.

Troféu, em uma de suas definições mais prosaicas, é o conjunto dos despojos do inimigo derrotado. Sendo assim, um símbolo de força bruta, como a dos dinossauros que, há bilhões de anos, já exibiam orgulhosos e aos urros sua presa ao bando. Mas, para eles aquela era a única forma de sobrevivência.

Após uma boa reflexão, a resposta ao dilema inicial já se faz supérflua frente a mais importante das constatações: O verdadeiro vencedor não necessita de troféu.

Delphis Fonseca
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Os Alquimistas do Avesso


Nossos melhores dicionários definem educação como “métodos que propiciam a formação e o desenvolvimento físico, intelectual e moral de um ser humano.” Por ironia do destino, a maioria dos mentores de escândalos políticos ocorridos por todo o globo, e seus “laranjas” – como eles mesmos preferem se definir, numa incrível tentativa de defesa, quando são capturados - tiveram “educação” de sobra - as paredes de seus gabinetes que o digam. Os empreendedores que, com sua genialidade parcial, construíram verdadeiros impérios industriais, também. Muitos deles estudaram nos melhores colégios e universidades do mundo, com direito a pós-graduação, MBA e outras siglas de prestígio. No entanto despejam todo o “bagaço” de sua riqueza nos rios, mares e ares, totalmente cientes do imenso mal que causam.
Sendo fiéis aos fatos e à língua portuguesa, podemos classificar graduados que cometem equívocos dessa magnitude como educados?

Não vamos confundir o fato de ter passado por um processo educativo, com ter educação. Há um imenso abismo entre essas duas situações. Na verdade, excetuando-se os que o são por comodismo, o ignorante pode estar muito mais próximo da educação do que aqueles que tiveram nas mãos esse valioso patrimônio e o transformaram em lixo. Esses pensaram ter encontrado a Pedra Filosofal, e não se deram conta de que ela era falsa. Se tornaram os alquimistas do avesso.

Quando verdadeira, a ignorância é um álibi perfeito, embora frequentemente seja falsa. Para os adeptos da cartilha do desculpismo, suas maiores preocupações não deveriam ser as punições leves ou pesadas que poderiam, ou não, advir disso
O que tem relevância mesmo é o processo interior. Em nossa consciência estão registrados todos os fatos de forma cristalina, nossa verdadeira responsabilidade sobre tudo o que pensamos e vivenciamos. Para que a justiça plena se faça não é necessário se fazer nada. Ninguém precisa ter acesso a essas informações, além de nós mesmos. Esse processo é iniciado expontaneamente por nossa consciência. Aí começa a verdadeira educação.

Assim, ao decidir estudar algo com mais profundidade, considere o que a aplicação daquele conhecimento em sua vida lhe trará de bom. E não me refiro apenas a quanto fará lhe render em dinheiro, se lhe dará status social, ou propiciará ascensão profissional. Mas, principalmente o quanto lhe acrescentará em qualidade de vida, no seu mais profundo sentido.

Quando decidir estudar algo, aprenda. E isso não é óbvio, nem redundante. Aprender, de fato, não é apenas freqüentar salas de aula. E, correndo o risco de contrariar nossos bons dicionários, também não deve ser entendido apenas como “reter na memória o conhecimento adquirido.” Aprender é fazer uso desse conhecimento na sua vida. Quando fora de uso, o conhecimento é, em essência, a negação desse aprendizado. Por isso, a verdadeira educação só pode ser realmente sublimada com sua aplicação. Agindo dessa forma, além de esse conhecimento, você verá como ele adquire novas dimensões e desmembramentos infinitos que serão fundamentais para seu crescimento integral.

Mas, prepare-se. Quanto mais aprendemos, mais aumentamos nossa responsabilidade com relação a nossa própria evolução e, por conseqüência, ao processo de evolução coletiva.
Por isso, o ciclo se completa quando você faz com que seus conhecimentos possam valer também para outras pessoas, quando há uma doação de valores de vida. E não se preocupe. Você não vai ficar privado do que já construiu, ao contrário. Esse processo fará com que o tesouro intelectual, emocional e espiritual que você conquistou, se torne ainda maior. Isso porque você terá dado um enorme passo em direção a uma outra esfera de sua evolução: a do amor incondicional. Ela é como uma espécie de escola aberta a todos que quiserem estudar. Para isso, basta repartir o que você tem de melhor com todas as pessoas, indistintamente, e fazer isso de coração. Sendo essa uma condição sine qua non a todos os seus alunos, já é possível entender porque ganhamos tanto quando estudamos nela.

Os bem-educados sabem: na matemática da vida é preciso dividir para multiplicar.


Delphis Fonseca
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